Nas rodas de conversa sobre a Doutrina do Amanhecer, o que deveria ser um diálogo espiritualizado transformou-se em uma arena onde cada participante empenha-se em vencer. Os interlocutores disputam o pódio da ortodoxia. A essência da troca se perde: não se escuta, disputa-se a vez de proferir meias-verdades convenientes. A linguagem vem eivada de violência. A conversação deixou de ser doutrinária. Tornou-se um campo minado de egos. Discordar é declarar guerra.
Acreditamos enxergar o mundo como ele é, mas nossos olhos mentem: entre a realidade e nossa percepção existe um filtro invisível tecido por conveniências pessoais, medos antigos e desejos não confessados. O que chamamos de verdade, muitas vezes, é apenas o reflexo distorcido daquilo que nos convém acreditar.