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Templos externos: o desabafo de Michel Hanna

A noite caiu e nos pusemos a caminho do templo Pelário do Amanhecer. Ali estava uma figura com quem eu desejava há muito conversar: o Trino Sumanã. Por meu termo, eu precisava entender melhor como havia sido a entrada do sr. Gilberto Zelaya no Conselho dos Trinos. Apesar da carta de Koatay 108, na qual fica estabelecida a posição do Gilberto à frente dos templos externos, eu gostaria de saber das contingências, dos detalhes, do clima e, sobretudo, qual era o balança que ele fazia de tudo isso. Ao nosso redor, os demais conversavam sobre várias coisas. O clima era de animação geral. Músicas, comidas, empolgação. Sentei-me ao lado do Trino e puxei o assunto nos seguintes termos: se são três as raízes do Amanhecer – Tumuchy, Arakém e Sumanã, por que razão o sr. Gilberto Zelaya tinha sido elevado a essa condição? Ele me olhou admirado, quase assustado. Decerto, não esperava a pergunta. A princípio suas respostas eram curtas, quase monossilábicas. Mas na continuação da conversa pude perceber que ele foi se soltando. Suas explicações foram ficando mais longas, mas detalhadas e a conversa fluiu como eu realmente gostaria que acontecesse. Do meio para o fim, o Trino Sumanã fez-me o seguinte relato sobre a entrada do Trino Ajarã ao Conselho dos Trinos:

“Olha, meu irmão, foi um pedido de mãe. Ela disse-nos que gostaria que o Gilberto estivesse entre nós. E pediu que aceitássemos. Ela não exigiu, não disse que era uma determinação espiritual, nada disso. Só pediu. Não tínhamos como negar. Mas hoje eu sei que aquilo foi extremamente prejudicial. Hoje, meu irmão, está assim, cada um por si. Cuide da sua força, porque aquela usina não existe mais.

Estarrecido, eu escutava aquele relato. No fundo, desconfiava que havia sido assim. Mas ouvir tal relato do Trino, além de confirmar minhas suspeitas, tinha outro peso. Conversamos ainda sobre outras coisas. Dentre elas, a vinda dele para o Brasil, a chegada à Doutrina, a aridez dos tempos modernos…

Pouco depois despedimo-nos. O Trino, cansado, se recolheu com sua ninfa. Reflexivo, procurei integrar-me à euforia geral, participando das canções e do café que rolava em seguidas garrafas. Deixei a festa algumas horas depois sem me desligar do que ouvira. No caminho de volta para casa, no carro, sozinho, pus as mensagens do Pai Seta Branca: “Filhos! Cuidado com as grandes filas que avançam dizendo estar em busca de Deus, pois o homem em sua maioria busca somente a segurança individual”. Estaria, o Pai Seta Branca referindo-se aos Templos Externos?

Filhos! Cuidado com as grandes filas que avançam dizendo estar em busca de Deus, pois o homem em sua maioria busca somente a segurança individual.”


Posted in Templos externos

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