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Experiências de um leigo

Transportes, desdobramentos e viagens astrais no plano etérico do médium Bezerra Neto.

A mansão dos Antunes

Naquela madruga cheguei àquele lar espiritual que se assemelhava a um grande albergue. A Casa dos Antunes. Aquele casal tivera uma vida na terra tão linda, porém, curta. Casaram-se, tiveram sete filhos e desencarnaram deixando o filho mais velho com 23 anos de idade. A principio quando chegaram ao plano espiritual na região do etéreo, suas almas foram recebidas pela falange dos frades mensageiros franciscanos, falange que trabalha no transporte dos desencarnados até o canal vermelho, logo após a sua saída de Pedra Branca, são responsáveis por aqueles que conviveram nas igrejas e deixaram a terra levando os vínculos da Igreja Católica. Seus mentores desceram no canal vermelho levando aquelas duas almas e durante 07 anos eles permaneceram ali se preparara para irem para sua origem.

Mais a preocupação com os filhos que haviam deixado na terra era para eles uma constante tristeza e preocupação. Decidiram então, não partir. Desejaram ficar e acompanhar a jornada dos filhos e netos que ficaram na terra.

Os primeiros impactos daquele desencarne foram se diluindo com o tempo, na medida em que as vibrações dos que ficaram na terra foram diminuindo.  Lutero e Antonia foram mortos misteriosamente sem que pudessem, a princípio, detectar a causa de suas mortes. Fora por envenenamento. 

Voltando ao plano espiritual, Lutero e Antonia caminharam até lá juntos. Descobriram que eram almas gêmeas e que poderiam ficar unidos para sempre. Estavam livres das suas faixas carmicas. Contudo, não queria abandonar os filhos sozinhos na terra, então seus mentores arrumaram aquela situação. Desceram com eles para a região de “Heloyã Palud” e ali construíram um albergue as margens de uma região pantanosa, onde muitas almas viviam presas ao inelutável destino por eles mesmos escolhido. Construíram aquela mansão espiritual e ali foram trabalhar para aliviar as dores dos que ali sofriam.

Lutero e Antonia viviam ali felizes apesar dos sofridos e desesperados que lhes chegavam, em busca de auxilio.    

Aos poucos o trabalho daquelas duas almas foi ganhando corpo, outros casais foram ingressando naquele labor e tudo ali era lindo. Vez ou outra desciam a terra e acompanhavam seus filhos queridos e netos que já chegava ao numero de 20 pequenininhos.

Nessa madrugada fomos visitá-los, quando chegamos estava na hora em que Lutero fazia o seu sermão madrugar. A poucos metros podia escutar sua voz doce e mansa a recitar uma poesia universal.  Recitava ele:

“Quando de sua majestade, o nosso senhor descer acompanhado de todos os seus mensageiros, então se assentará em seu trono e todas as nações, povos e raças estando reunidos, ele separará uns dos outros, como um pastor separa suas ovelhas dos seus cabritos, e colocará suas ovelhas à direita e os cabritos à sua esquerda.

Então o rei dirá àqueles que estarão a sua direita; Vinde, vós outros que fostes benditos por meu Pai, o meu reino é vosso e eu o preparei para a vossa chegada e vos dirá o senhor seu rei: 

Serdes, porque tive fome e deste de comer; tive sede e me deste de beber; estava desabrigado e me alojastes; estive nu e me vestistes; estive doente e me visitastes; estive na prisão e viestes me ver.

Então os justos lhe responderão: 

Senhor quando foi que nós vos vimos com fome e vos demos de comer? Ou com sede e vos demos de beber? Quando foi que nós vos vimos sem teto e vos alojamos, ou sem roupa e vos vestimos? 

E o rei lhes responderá: 

Eu vos digo em verdade, quantas vezes o fizestes com relação a um destes mais pequenos de meus irmãos, foi a mim mesmo que fizestes.” 

Devemos então nos esforçar para sermos um bom Samaritano.

Aquele era o sermão em que Jesus anunciara a salvação pela caridade, o maior de todos os mandamentos que conhecemos aqui na doutrina como Lei de auxilio. 

A voz do orador soava suavemente pelo ar calmo que aquele lugar transpirava. Ali a atmosfera envolvia-nos em doces caricias e nos sentíamos acarinhados por mãos invisíveis que distantes estavam em sintonia com aquele dois samaritanos.

Sua voz continuava no mesmo ritmo a recitar aquela composição como se fosse uma canção confeccionada para a consciência individual. Lutero como a querer criar a seu máximo, uma reprodução original do autor, sua originalidade, do grande mestre que ao povo encantou com suas poesias, parábolas, Jesus, Jesus de Nazaré.

Mais tarde soube que Lutero e Antonia foram dois samaritanos encarnados na palestina e viviam em Samária.  Eles contaram suas vidas naquela época e fiquei também informado que os seus sete filhos de hoje eram os oitos soldados romanos que lhe invadiram o lar e ele os matou em defesa própria para proteger sua mulher e filha. A esposa a mesma de hoje e sua filha, moça que desabrochava para a felicidade adulta e, que na encarnação recente era a sua estimada funcionaria da casa, com eles viviam a mais de 20 anos, como uma enteada, protetora de Antonia era Lisabel,  a sua filha em Samaria.

Samaria era uma cidade da palestina na época de Jesus. O povo que ali vivia era rejeitado pelos Israelistas por ser considerado um povo vindo de um cruzamento de outras raças. Sobre eles os preconceitos recaiam os diferenciando, por esse fato, eram discriminados. 

Saímos dali, daquele albergue levando alguns espíritos que precisavam de maiores cuidados. Anos depois soube que a missão deles continuava e crescia. Três de seus filhos que haviam desencarnado também para lá se dirigiram e ingressaram naquela missão. Hoje recebem as proteções das legiões dos cavaleiros especiais que nos interligaram, construíram uma ponte, assim funcionamos como apoio aqueles missionários que estão ingressados na missão crística de socorro aos sofridos.

Fiquei meio intrigado e percorrendo o caminho de volta para o lar da Terra, meditava confuso. Será que ouvi errado? Sete filhos, oito soldados? Pensei, faltou um? E o outro soldado, eram oito e não sete?

-Pai João sorriu de mim. Não filho. – Não escutou errado. Faltou um.  Algum tempo depois, para ser mais exato, 5 anos antes de sua morte, aquele casal adotou um sobrinho, passando aquele rapaz a conviver no seio de sua família. Ele era muito estimado por Antonia e Lutero, principalmente Lutero que o dedicava atenção e dedicação especial. Caio Cesar era o nome do seu filho adotivo, assim aquele casal sentia uma dedicação, um carinho por aquele rapazote, que estranhamente não correspondia as caricias e afetos a ele dedicado por todos.

– Veja filho, quando não sabemos perdoar a vida se torna muito perigosa. Havia um ódio oculto naquela alma ferida. – Diria meu filho: um ódio transcendental. Nunca alguém o via sorrir. Diria que por impulso involuntário ele odiava Lutero, sem encontrar em si a causa daquele sentimento.

– A cada dia aquele sentimento aumentava e alimentado também, agora, por forte inveja a sentir a harmonia que reinava naquele lar, em contradição ao seu. Seus pais viviam toda a espécie de agressividades e animosidade e para complicar, seu pai era um beberrão inveterado e tantas vezes o espancava sem clemência. 

Entretanto, naquele santuário em que estava vivendo naquele momento, o amor reinava, o amor e o respeito de Lutero e Antonia pelos filhos era imenso a ponto de neutralizar os efeitos nocivos daquele sentimento oculto que estava depositado no intimo daqueles setes rapazes que outrora foram os guerreiros centuriões que foram assassinados por Lutero em Roma. 

Como meu filho, a vida se compreende de bons e maus condutores de suas realizações, sempre sobram em quantidade aqueles que foram mal amados, irrealizados, que se incomodam com a felicidade do visinho. Sempre há por perto o principezinho (a) do mal, um mensageirinho da inveja. E logo, Caio Cesar atacado constantemente por uma mente negativa que possuía, encontrou amigos correspondentes ao seu padrão vibratório.   

Eu escutava Pai João narrando aquele desfecho final com grande curiosidade. Ele estava mergulhado naquele cenário e sentia que o seu amor era tanto que alcançava e buscava a figura de Caio Cesar. Então pensei: onde ele deve Estar?

Álvares era um comerciante famoso que se dizia amigo de Lutero e Antonia, contudo, na verdade era um homem sem escrúpulo, desonesto e que tramava ocultamente a morte de Lutero, desejando isso profundamente, pelo amor doentio que supunha possuir dentro de si por Antonia. Mulher de um porte nobre e correto. Delicada cuja a beleza era estampada em sua face na mais pura e ingênua cordialidade. Era simpática e bondosa, alegre, mais muito reservada. 

– Diria meu filho que nela podíamos reconhecer a imagem real de uma dama, de uma rainha.

– Logo, Álvares atraiu para o seu meio aquele rapazote. O contratou para dirigir uma de suas lojas comerciais e o rapaz passou a ser alimentado por toda uma desordem de idéias diabólicas, conduzida intencionalmente por Alfredo que o convenceu que a morte de Lutero era para ambos, um bom negócio, prometendo a Caio Cesar que receberia boa quantia em dinheiro. Foi meu filho o estimulo final.

– Nessa altura o descontrole do rapaz era completo. Seu ódio por aquele casal cresceu a ponto de Lutero e Antonia não puderem mais conviver. Amargurados decidiram mudar-se para outra cidade e lá recomeçar a vida. Na noite anterior a partida, Caio Cesar foi visitá-los levando consigo um amargo presente. 

– Meu filho, nessa mesma noite os dois foram envenenados. Quando entraram para o quarto de dormir, inesperadamente Caio Cesar bateu-lhe a ponta do aposento entregando a Lutero um copo com vinho, dizendo que aquela atitude simbolizava um recomeço para ambos, de amizade, respeito e cordialidade. Dentro continha um forte veneno. 

– O casal dividiu aquela taça simbolicamente, festejando com alegria extrema a volta aos seus braços o filho querido que a vida havia lhe oferecido por endereço estranho. Dividiram aquele aguardente de uva, felizes pela volta ao lar afetuoso do sobrinho querido, sem desconfiar o estranho de somente, o rapaz ter levado uma taça e não duas. 

– Salve Deus meu filho, Caio Cesar se despediu daquela casa pela última vez.  Partiu dali carregando a certeza que Lutero não acordaria no dia seguinte.

Voltamos a Roma ao ano de 72 d.c. naquela tarde de segunda feira,  oito homens adentraram aquele sitio que ficava a poucos quilômetros de Samária. Vinha de uma batalha onde as fileiras romanas haviam sido derrotadas, e os que não morreram, se dividiram em bandos elaborando assim estratégia, melhor de fuga. Fugiram em bandos na esperança de retornarem a Roma. Estavam cansados e famintos e os seus extintos, aguçados pela sanguinolenta batalha travada contra o inimigo, ativara a força animal. 

Assumiram aquele lugar em nome de Cesar e foram se apossando do que julgavam em seus juízos alucinados ser justo, lhe pertencerem por honra e guarda de Cesar, o rei e dono do mundo. 

Lutero experiente em seus anos de vida logo deduziu que seria deles também naquela noite, sua esposa e sua filha, era uma questão somente de esperar à hora preterida. A noite foi descendo do infinito e cobrindo o dia, e já escuro ascenderam os tocheiros e a luz retornou ao ambiente.

Lucius Autérius, nome de Lutero naquela encarnação, preparou uma festejada comemoração para Roma e para o glorioso Cesar, oferecendo sua casa e seus pertences aos soldados como recompensa pelo que eram e simbolizavam: o orgulho romano. 

Lucius preparou o vinho e nele depositou o opus do pântano, famoso veneno anthriscus, conhecido pela formula atual de cicuta, sua ação é imediata e causa a morte por parada cardíaca respiratória. Os soldados Romanos agradecidos pela cordialidade beberam sua última taça de vinho. Caius Leptulus, antes de morrer jurou que se vingaria um dia. Caius Leptulus era o rapazote, sobrinho do casal que tinha o nome de Caio Cesar, o centurião. 

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