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Experiências de um leigo

Transportes, desdobramentos e viagens astrais no plano etérico do médium Bezerra Neto.

A chegada ao Vale do Amanhecer: reencontro consigo mesmo

Amigos e irmãos,

Tudo nesse plano físico é muito inconstante; tudo está condenado a desaparecer, se transformar, evolucionar. Tudo mesmo, e é muito rápido, por isso temos que tentar acompanhar o ritmo dos acontecimentos, compreendê-los e retirar os nossos ensinamentos, que são as pérolas que levaremos para o futuro, porque tudo se transforma rapidamente sob a ação infalível do tempo.

Somos pequenos aprendizes nessa grande universidade e a vida que escolhemos nos fornece tudo o que precisamos para nos prepararmos para as grandes provas, os grandes testes. Além do mais, nunca sabemos com exatidão o dia em que elas – as provas – chegarão. Muitas vezes supomos estarmos seguros, firmes em nossas vidas, quando nos deparamos com aquelas que foram as nossas vítimas do passado e caímos por não saber amar, por não saber compreender aquela sublime mensagem, a rica oportunidade que Deus nos concedeu.

Quantos passam pela vida sem compreendê-la? Quantos acreditam estarem absolutamente certos e quando chegam do outro lado, se deparam com um mundo dinâmico, onde os valores são pesados pelo que levamos em nosso coração e não por qualquer outro valor; e sofremos muito sem poder acompanhar aqueles que vivem felizes e realizados em seus reinos. A balança pesará os nossos merecimentos: aquilo que fizemos de bom ao próximo e a nós mesmos, porque tão logo cheguemos do outro lado, teremos que prestar contas do que fizemos ou deixamos de fazer.

Em 1979 chegamos ao Vale do Amanhecer. Tudo era muito simples e muito original, muito bonito mesmo. Chegamos e fomos logo fazendo ambiente, sentindo em nossas almas as mais lindas recordações de eras tão remotas e felizes, até que nos apaixonamos. Dali em diante tudo se tornou um grande caso de amor, como dizia Tia Neiva. Daquele dia em diante também acabou o nosso sossego. Tudo era lindo e real, mas tivemos que pagar um preço muito caro para poder receber aquela cultura dos nossos antepassados, a magia dos encantados.

Vivíamos sempre pesando os nossos valores, sempre entre a cruz e a espada, entre a verdade do espírito eterno, a individualidade e a personalidade transitória com os valores mundanos. Como sofríamos ao ter que abandonar os nossos sonhos, as nossas doces ilusões de homens físicos e encarnados; como sofremos com a incompreensão dos nossos familiares e amigos, com preconceitos, rejeições, tolices ditas, expressadas em gestos que tanto nos marcaram e nos fizeram sofrer…

Mas tínhamos que optar entre os valores do mundo e os valores espirituais; logo sentimos que os dois não se casariam. Tínhamos que abandonar as nossas iniciações físicas, os nossos falsos conceitos para podermos receber ideias renovadas, porque em nossa mente não cabia mais nada; era preciso esvaziar para recomeçar a encher… E isso implicaria em fazer escolhas.

Vivíamos sempre a ânsia das transformações superiores e os preconceitos humanos. Inconscientes, sabíamos que estávamos pagando um preço alto, entretanto estávamos sendo testados e não podia haver reprovação; não podíamos sequer vacilar, porque era uma oportunidade raríssima. E entre todos os interesses, optamos pelo que acreditávamos. Naquele oceano de incertezas, começamos a navegar decididos que teríamos sempre um guia, um amigo, um pai. Daí em diante, tínhamos como mentor espiritual, o Cacique Seta Branca, o nosso pai maior, o Simiromba de Deus.

Aumentaram as tensões em nossas vidas; éramos pressionados de todos os lados. Cercados de incompreensões. Meu pai, numa atitude extrema, ameacava nos colocar para fora de casa: saíamos do Vale do Amanhecer ou da presença dele. Contudo aquilo não era o fim; as discussões continuariam, nos trazendo ainda muitos aborrecimentos e desarmonias. Eles não aceitariam de forma alguma nosso ingresso naquela ‘macumba’ segundo dizia nossa mãe. O preconceito estava presente na nossa casa e nos marcou de forma profunda…

Sentíamos-nos como alunos que foram reprovados em outras épocas e estávamos de volta à escola. Sabíamos que aquela oportunidade era única e que seria muito difícil. Diante de tudo isso, seguíamos firmes as determinações de nossas faixas cármicas, porque tínhamos certeza de que não podíamos dar chances para aqueles que, com certeza, se oporiam ao caminho. Tia Neiva sempre nos falava: “filho, tudo tem o seu preço”. Mas na verdade estávamos longe de compreender o que ela dizia. Pensávamos como podia ser aquilo se depois que entramos no Vale tudo ficou pior. Então vinha a grande dúvida: será que tudo isso está certo? Será que realmente este é o caminho a tomar? Acreditamos que sim e em pouco tempo fomos taxados de “os fanáticos do Vale do Amanhecer”…

Tudo foi caminhando. Permanecíamos firmes e pagamos caro todo aquele acervo que estávamos recebendo dos planos espirituais. Sabemos que também é assim que acontece com a maioria. Ainda hoje fico me perguntando porque tem que ser assim. Num daqueles dias fui ao meu querido Pai Joaquim de Angola e perguntei porque tantas incompreensões, principalmente de quem está mais perto, de quem mais amamos.

Ele olhou e me disse:

– Meu filho, salve Deus. Vosmicê está na seara de Nosso Senhor Jesus Cristo, e essa é a sua doutrina de amor, de compreensão; é o maior tesouro que o homem pode conquistar na Terra. Está ficando um homem rico filho, e os padrões deste pequeno planeta não gostam de pessoas ricas. Jesus subiu o Calvário, pagou seu preço. O seu é pequeno e leve não acha?

Eu insisti:

– Por que ninguém gosta daqui?

-Pelo mesmo motivo que crucificaram Jesus. Mas não sei se sua afirmação é verdadeira. Olhe para a sua frente.

Levantei a cabeça e vi uma pequena multidão de pessoas sentadas, esperando uma oportunidade igual a minha. Então ele continuou:

-Meu filho, há duas pessoas, dois tipos de gente em uma só. Uma na alegria e outra na dor, pois na alegria pensamos de um jeito e na dor pensamos de outro modo totalmente diferente. Mas não se incomode, isso não é muito importante; compreenderás amanhã que tudo é bom, e que as pessoas são assim mesmo, depois mudam.

O que Pai Joaquim de Angola me falou em 1979 somente hoje se torna acessível à minha compreensão. Tudo mudou. O que era dor e desarmonia hoje está perfeitamente coerente e ajustado com o que eu precisava aprender. Tudo faz parte de um aprendizado e desenvolvimento pelo qual temos que passar, ou não temos como seguir adiante. Muitas coisas lindas aconteceram naquela época e muitas coisas lindas acontecem hoje. Agora precisamos aprender a colher as rosas do nosso caminho, e nessa colheita é natural que de vez em quando um espinho nos fure as mãos. Tudo tem o seu preço e temos que saber exatamente o que queremos, para que, decididos, possamos ir em frente…

Tivemos que deixar muitos amigos, familiares e demais pessoas queridas; partimos ao encontro das nossas realizações e recebemos os mesmos amigos e familiares de ontem. Eles vêem e virão sempre ao nosso encontro; abraçam-nos, sorrimos juntos, choramos juntos e em seguida partem. Será que compreenderam a sublime mensagem? Será que compreendemos, todos, a sublime mensagem? Penso como Pai Joaquim: não é muito importante agora senão deixar que eles levem a emanação.

Assim vamos caminhando, sempre com um adeus, sempre em despedida. Muitos ainda virão, assim como muitos já vieram e foram em busca dos seus destinos. São amigos que se reencontram, inimigos que se reajustam, amores e desamores num bailar constante, encarnados e desencarnados, levando e deixando saudades, na sublime mensagem de que não há sofrimento, e sim uma canção que nos toca o coração na forma que pudermos amar… Salve Deus.

Omeyocãn – 1998.


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